
A equipe do Dorense Futebol Clube poderá ficar de fora do Campeonato Sergipano das categorias Sub-17 e Sub-20, organizado pela Federação Sergipana de Futebol. O motivo é uma grave disputa interna pelo controle administrativo do clube, que já resultou em intervenção judicial.
A situação pode prejudicar diretamente jovens atletas, entre 17 e 20 anos, da cidade de Nossa Senhora das Dores e região, que sonham em seguir carreira no futebol.
O Dorense Futebol Clube está atualmente sob intervenção judicial, após decisão liminar que determinou o afastamento da diretoria e a nomeação de uma comissão provisória para administrar o clube por um período de 06 (seis) meses.
A medida foi tomada no âmbito de uma ação movida por José Almeida Lima, que questiona a legitimidade da atual diretoria e a falta de prestação de contas , regularidade fiscal e societária da agremiação.
Segundo o processo, o então presidente Ronaldo da Silva estaria no cargo desde janeiro de 2014, apesar de ter sido eleito originalmente para o biênio 2014–2016. O estatuto do clube, datado de 1962, estabelece mandatos de 02(dois) anos para a presidência e o Conselho Diretor, e de 04 (quatro) anos para o Conselho Deliberativo.
Embora exista registro em cartório da última eleição realizada em 2014, há documentos com assinaturas de cerca de 30 (TRINTA) membros dos conselhos Consultivo e Deliberativo indicando que eleições teriam ocorrido também em 2017 e 2020.
Mais recentemente, em 31 de março de 2026, uma nova Assembleia Geral elegeu novamente Ronaldo da Silva para o biênio 2026–2028. No entanto, José Almeida Lima alega que o processo foi irregular e fere o estatuto vigente.
Ao analisar o caso, a Justiça entendeu, em caráter liminar, que os autores apresentaram indícios de vínculo com o clube. José Almeida Lima teria comprovado atuação como patrono por meio de ofícios e registros fotográficos, enquanto Estácio Anteogenes apresentou certificado de sócio-torcedor.
Com isso, foi determinada a saída de Ronaldo da Silva da presidência e a criação de uma comissão provisória composta por:
- José Almeida Lima
- Estácio Anteogenes
- Daniel (advogado)
O presidente afastado contesta a decisão. Segundo Ronaldo da Silva, o estatuto do clube em vigor não prevê a figura de “patrono”, apenas a de sócio benemérito , que exige indicação da presidência e aprovação do Conselho Deliberativo. Ele afirma que não há registro de concessão desse título a José Almeida Lima.
Ronaldo da Silva também nega que Almeida Lima tenha sido financiador do clube, conforme consta na decisão judicial. Segundo ele, em 2024, por se tratar de um ano eleitoral em que Almeida Lima disputava o cargo de prefeito, este se aproximou do clube afirmando que iria contribuir financeiramente e auxiliar na reforma do Estádio Ariston Azevedo.
Diante disso, Almeida Lima teria assinado diversos documentos, juntamente com Ronaldo, direcionados a empresas como UNIT, Nativile, Usina de Energia Solar da Barra dos Coqueiros e Maratá, solicitando recursos financeiros para a reforma do Estádio Ariston Azevedo. Além disso, afirmou que diversas autoridades também contribuiriam, citando Renan Calheiros, Edvaldo Nogueira e Jeferson Andrade.
No entanto, até o presente momento, não houve qualquer prestação de contas por parte do senhor José Almeida Lima.
O ex-presidente cobra esclarecimentos por parte de Almeida Lima para que :
- Informe o nome das pessoas da Cidade de Nossa Senhora das Dores e de outros estados que realizaram doações para a obra;
- Informe o valor total arrecadado por meio dessa doações;
- Informe o valor total da despesas realizadas na reforma;
- Informações sobre a forma de recebimento dos recursos: se foram depositados na conta do clube, em conta pessoal do Senhor Almeida Lima ou entregue em espécie ;
- Apresentação das notas fiscais e recibos das despesas e receitas;
O ex-presidente Ronaldo da Silva informou que respeita a decisão judicial, no entanto, irá recorrer e apresentar a prestação de contas. Acrescentou ainda que, caso a Justiça mantenha o entendimento de que a gestão do clube deve continuar sendo administrada por uma comissão provisória, seja nomeado o Conselho Consultivo, pois, de acordo com o estatuto vigente, ele é formado por ex-presidentes e ex-presidentes do Conselho Deliberativo.
Embora a decisão judicial tenha como objetivo restabelecer a legalidade administrativa, seus efeitos podem impactar diretamente a participação do clube em competições.
Entidades como a Federação Sergipana de Futebol e a Confederação Brasileira de Futebol exigem regularidade institucional para validar registros de atletas, inscrições em campeonatos e atos administrativos.
Diante do cenário atual , marcado por uma decisão liminar, portanto provisória, há risco de insegurança jurídica. Caso ocorram recursos ou a continuidade das disputas sobre a legitimidade da gestão, as entidades podem adotar uma postura cautelosa.
Na prática, isso pode resultar em:
- Suspensão ou bloqueio no registro de atletas
- Impedimento de participação em competições oficiais
- Não reconhecimento de atos da gestão provisória
Com a instabilidade institucional, o Dorense Futebol Clube corre o risco de ter suas atividades esportivas paralisadas até que a situação administrativa seja definitivamente resolvida.

Enquanto isso, jovens atletas podem acabar sendo os principais prejudicados por uma disputa que ultrapassa os limites do campo.
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